ORAISON (presse)
Morreu Virgílio de Lemos Jornalista e poeta, Virgílio de Lemos morreu em França com 84 anos de idade.
António Garcia (cortesia) Virgílio de Lemos foi anticolonialista em Moçambique antes de se exilar em França, na década de 60. Em Paris, a sua casa era ponto de encontro entre inteletuais e jornalistas
| Faleceu Virgílio de Lemos, o Poeta das Ilhas |
| Vida e Lazer - Cultura |
| Escrito por Redação |
| Natural da Ilha do Ibo, onde nasceu em 1929, Virgílio de Lemos desde muito cedo foi-se enriquecendo de culturas e estilos multifacetados que marcaram profundamente a emergência de uma das vozes referenciais da literatura moçambicana. Aliás o “criolismo”, por ele rebaptizado de “barroco estético”, é uma corrente na qual o próprio Poeta se inseria e onde caberiam moçambicanos oriundos do século XX. Estes intelectuais procuravam incessantemente uma identidade sempre em movimento, numa forma de antropofagia cultural baseada na mestiçagem. Residente em Paris desde 1963, jornalista e notável colaborador da Radio France Internationale (RFI), Virgílio de Lemos tem colaboração dispersa na imprensa, quer em Moçambique quer no estrangeiro, e utilizou os heterónimos de Duarte Galvão, Bruno dos Reis, Lee-Li Yang, entre outros. Em 1952 foi o editor do caderno de poesia Msaho, juntamente com Reinaldo Ferreira e Domingos de Azevedo. Obras de Virgílio de Lemos Virgílio de Lemos publicou o seu primeiro livro de poemas, Poemas do tempo presente, em 1960. Seguiram-se Object à trouver (1988), L’obscene penseé d’Alice (1989), L’aveugle et l’absurde (1990), Negra azul – Retratos antigos de Lourenço Marques de um poeta barroco, 1944-1963 (1999), Eroticus moçambicanus (1999), Ilha de Moçambique – A língua é o exílio do que sonhas (1999), Lisboa, oculto amor (2000), Para fazer um mar (2001), A invenção das ilhas (2009) e Meu mar te tochas líquidas (2009), este último sob o heterónimo de Lee-Li Yang. Ainda em 2009, foi publicado o primeiro volume da antologia Jogos de prazer, que inclui todos os seus heterónimos e, em 2012, A dimensão do desejo (precedido de Utopia até morrer ou Entre a esperança e o sentido – poemas de evocação a Reinaldo Ferreira). Entre as intervenções públicas e os ensaios, destacam-se o “Discurso de Berlim – Amor, irreverência e morte” (1964) e “Eroticus Mozambicanus” (1997), que pode ser considerado como o manifesto do “barroco estético”.
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Faleceu na noite de 6 de Dezembro, em Les Moutiers en Retz (Nantes, França), o poeta moçambicano Virgílio de Lemos.