HAÏKUS
HAIKUS E OUTROS POEMAS DE BRUNO DOS REIS (1951/56)
1. Contemplar o mar e nele o horizonte
No fundo procurar enigmas da alma
Fugindo a descobrir teu corpo.
2. Poema é viagem inedita pela noite.
Triangulo d’ Ouro da aventura que vem de longe :
desafio monstros e garras que inventaste !
3. Nada te pesa tanto quanto o medo de ti mesmo
Tua ignorancia e tua intolerancia. Deixa que a ave
Misteriosa no seu voo te ofereça o beijo incriado !
4. Pesado o vento vem matar a sede commigo
Em volta de uma taça de chà verde ! Em silencio
Nosso encontro terà um outro refinado sabor !
5. Alquimia entre amor, meditaçao e morte, « taiyiti »
é a suprema uniao. Deus e Poder
Sao o universo em guerra. Saboreia o instante de paz !
6. Abolir as sensaçoes seria aos poucos morrer !
Nao és discipulo nem de Cristo nem de Boudha
O delirio da alquimia voa na frescura de um beijo !
7. Cada qual tem a sua voz real para ser o que pensa e
Para o que vive ! Contesta as leis que te querem impor !
Nem Epicure nem Aristophanes mas apenas tua solidao
poderà ser teu Nirvana ! Estimulante gesto, teu sonho !
8. Sensiblidade e impulsos sao quartos vazios
onde inda nao entraste : osmose entre amor e morte !
Foge a regras e astucias : simples e polido teu diamante!
9. Em teus oculos pretos escondes teu olhar
E porquê ? O que buscas no teu passeio pela morte ?
Morrer sem ter beijado outra Marylin ? E depois ?
10. Tua mulher idealizada numa aguarela japonesa ou num
Pequeno cinema de Durban ? Que prometem tuas maos
De garras de morte ? Decadente ou exaltado teu maginario ?
Bruno dos Reis 1956 Durban in « Pedaços de papel ! »